Pra você





Eu nunca fui do tipo de garota que se apaixona fácil. Ao contrário de quase todas as mulheres que conheço, pra mim, a solidão sempre foi uma boa companhia. É Walt Disney, eu não vejo um príncipe encantado em cada cara que olha ou se preocupa comigo. Para falar a verdade, sempre vi a maioria dos homens como mulheres, só que sem salto alto e inveja. Aprendi que, algumas vezes, mais vale um homem do lado, te ouvindo o do que um te beijando e dizendo o que fazer. Não pensem que tenho dúvidas em relação a minha sexualidade. Apesar de achar super sexy mulher de biquíni, gosto mesmo é de homem, de homem de verdade. Daqueles que abraçam forte e não ligam para o que pensam os amigos. Julgavam-me exigente demais. Sempre gostei da minha independência. De ligar para os amigos e poder marcar qualquer coisa, a qualquer hora sem pedir autorização ou deixar recado na geladeira. Tudo ia perfeitamente bem, até a volta dele. Ele era um cara engraçado que sabia como fazer com que as pessoas se envolvessem. Quer dizer, todas as garotinhas novatas davam mais que atenção – se é que vocês me entendem – para o pobre coitado. Minhas amigas juravam que ele sentia algo por mim, mas até então, aquilo tudo não passava de especulação feminina – e vontade de me ver levar um fora daqueles bem dados. Mas sabe desde que você entrou por aquela porta novamente, algo mudou na minha vida. Nunca fui boa com declarações. Gosto da sua maneira de ver o mundo. Da sua preocupação com a família. Da maneira com que se veste, do modo que me olha e como sorri. Seu jeito é uma espécie de mistério, um mistério que jamais consegui decifrar, mas sempre quis fazer parte. Ele nunca me disse 'eu te amo', ele disse o que eu sempre quis ouvir, algo como: você não é como as outras garotas. Talvez ele goste de mim, justamente porque sabia que eu sobreviveria sem ele e aquele falso 'para sempre' que os outros dizem.

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